segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A mulher do cavaleiro das trevas

Fazia algum tempo que um filme não era tão comentado – e visto – quanto “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Pelo que me lembro, a última película que recebeu tantas linhas foi “Amor, Estranho Amor”, quando lançada em vídeo e a Xuxa tentou recolher as cópias. Ok, o pessoal nem falou tanto assim, mas eu fiquei revoltado com a postura da rainha dos baixinhos e acho que faltou mobilização.

Voltando ao filme de Christopher Nolan – que muitos acreditam que foi dirigido e pensado pelo Heath Ledger -, em cartaz em todo o país, creio que em uma semana li uns dez artigos que elaboravam teorias sobre a obra.

Talvez o mais insano – até pensei que tinha sido escrito pelo próprio Coringa – foi elaborado pelo João Pereira Coutinho, na “Folha de S.Paulo”. Ah, mas certamente o mais cabeça veio da pena do Arnaldo Jabor, claro. Vale a pena ler mais um paranóico amontoado de frases explicando por que o Batman é o Bush e o Coringa é o Osama Bin Laden – ou vice-versa, não entendi porra nenhuma, na verdade.

O do Xexéo no “Globo” foi o mais engraçado. Mas paremos por aqui.

Prometi que não escreveria nada sobre o filme, tão enjoado que fiquei das genialidades bestiais perpetuadas pelos coleguinhas.

Mas vou cumprir a promessa apenas pela metade. Isso porque não falarei sobre o quanto gostei da fita, mas escreverei para elogiar a performance da mocinha, a adulta Rachel Dawes (Maggie Gyllenhall).

Afinal, todos sempre se referem ao estonteante vilão de cara pintada ou aos trejeitos afeminados do homem-morcego. Mas se calam diante da importância da única pequena que explode com o filme.

Pois é óbvio que a Rachel Dawes é a personagem mais importante da obra. Nada supera a sua franqueza, dor e força de vontade. Será que ninguém sacou que em “Batman – O Cavaleiro das Trevas” tudo só acontece por causa de uma mulher?

Ah, mas aí está a história do mundo.

batmanbatman

Tudo, absolutamente tudo, acontece por causa de uma mulher.

Desde que a danada da Eva mordeu a maçã, o planeta corre pra frente - e às vezes anda pra trás - por causa delas.

E não adianta me falar sobre heróis que se vestem de preto, vilões que adoram pintar a cara com a maquiagem da mamãe ou heróicos policiais cheios de bravura.

Nada supera a determinação e a loucura de uma fêmea.

Batman luta desesperadamente pra resolver logo o problema da criminalidade apenas pra se tornar um sujeito normal e amar de uma vez a sua pequena.

Harvey Dent, o temível promotor desse fantástico e imperdível filme, luta desesperadamente pra impressionar sua mulherzinha. Ele obviamente só coloca a moçada do mal atrás da grade porque precisa ganhar um olhar de tesão da sua mina.

Tanto que fica bem desanimado e passa para o lado negro da força quando sua futura esposa literalmente vai pelos ares (ops, e isso foi um spoiler).

Tudo, mas absolutamente tudo, gira em torno de Rachel no filme mais masculino e imperdível da temporada.

O Batman de Christopher Nolan é sensacional justamente porque sabe que nada neste mundo se move sem o olhar de uma mulher.

Fico realmente decepcionado quando observo que todos comentam a armadura negra do mocinho ou a doideira de um monstrengo assexuado que pinta a boca com um batom vermelho. Mas não falam sobre a fundamental presença de uma donzela capaz de desestruturar todo um universo.

Batman prova que as coisas importantes só acontecem porque queremos impressionar as nossas pequenas.

O resto é loucura do Coringa.


Fonte: Macho pero no Mucho
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